fui ajudar a pintar a casa nova de bons amigos.
Ele ouve trash punk e ela toca piano clássico, ele gosta de decoração minimalista e ela de bric-a-braque, ele é turco, ela parisiense. Respeitam-se, completam-se, cuidam muito um do outro, sabem que a vida não é sempre fácil e aceitam o sucesso com a dignidade de quem o merece e a humildade de quem sabe que nada é eterno.
De rádio ligado e lenço na cabeça, ele de rolo grande, nós as duas nos detalhes. Pelo meio, pausas com chá turco e camembert barrado em baguete. Não me poderia ocorrer melhor coisa para fazer neste dia.
25.4.09
19.4.09
17.4.09
Saber vender
Chegou a altura de provar o que valho. A pesca até foi boa, mas agora tenho que vender o peixe. Hoje ao almoco contei isso ao Joe, um americano que, aos 50 anos, atravessou o Atlântico para vir trabalhar aqui. Ele olhou para mim incrédulo com a minha inocência:
"Oh yeah, no matter how good is your idea, you still have to know how to sell it. That's how it is!"
"Oh yeah, no matter how good is your idea, you still have to know how to sell it. That's how it is!"
8.4.09
2.4.09
e sobre bébés e estilos de vida
G20
É quando estamos mal, que mudamos. Por isso, optimismo.
É de ler o que diz o Durao no Público, em vésperas do G20:
"A saída para esta crise não reside na "desglobalização". O proteccionismo e o nacionalismo económico são falsos amigos que mais não fazem do que agravar a pobreza e os conflitos."
e
"As novas regras globais devem basear-se em valores e princípios éticos, respeitando e estimulando a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade. Devem, além disso, permitir que os mercados recompensem o trabalho árduo e o espírito de iniciativa e não a mera especulação."
É de ler o que diz o Durao no Público, em vésperas do G20:
"A saída para esta crise não reside na "desglobalização". O proteccionismo e o nacionalismo económico são falsos amigos que mais não fazem do que agravar a pobreza e os conflitos."
e
"As novas regras globais devem basear-se em valores e princípios éticos, respeitando e estimulando a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade. Devem, além disso, permitir que os mercados recompensem o trabalho árduo e o espírito de iniciativa e não a mera especulação."
31.3.09
23.3.09
Loucos de Darmstadt
Granizo às nove da noite. Ponho a bicicleta no eléctrico para voltar para casa. A esta hora, vai quase vazio, mas não sou a única a puxar uma bicicleta para dentro.
Na paragem a seguir, entra um senhor a ralhar. Não vem a falar com ninguém em particular e também não se esforça por nos chamar a atenção, a minha e das outras 3 ou 4 pessoas que também vêm no eléctico. Está zangado e fala para o ar. Ralha à junge Leute, a juventude, que estão "cada vez mais malucos", "malucos, como nós nunca fomos". Diz que lhe furaram o pneu da bicicleta e já é a terceira vez em três semanas. Que são todos uns egoístas, que têm carros, que só se importam com o seu próprio conforto. Confessa-nos que já bebeu umas quatro ou cinco cervejas, "mas continuo bastante lúcido, sei bem o que se está a passar" avisa-nos. E continua com críticas à junge Leute e à sociedade.
Está a uns 4 metros de mim, mas cheiro-lhe o hálito a álcool. Vou de pé, encostada a um banco, a segurar a bicicleta. Olho para a chuva na janela, mas oiço com atenção o que ele diz. Todas as cidades precisam de um louco que diga as verdades.
Na paragem a seguir, entra um senhor a ralhar. Não vem a falar com ninguém em particular e também não se esforça por nos chamar a atenção, a minha e das outras 3 ou 4 pessoas que também vêm no eléctico. Está zangado e fala para o ar. Ralha à junge Leute, a juventude, que estão "cada vez mais malucos", "malucos, como nós nunca fomos". Diz que lhe furaram o pneu da bicicleta e já é a terceira vez em três semanas. Que são todos uns egoístas, que têm carros, que só se importam com o seu próprio conforto. Confessa-nos que já bebeu umas quatro ou cinco cervejas, "mas continuo bastante lúcido, sei bem o que se está a passar" avisa-nos. E continua com críticas à junge Leute e à sociedade.
Está a uns 4 metros de mim, mas cheiro-lhe o hálito a álcool. Vou de pé, encostada a um banco, a segurar a bicicleta. Olho para a chuva na janela, mas oiço com atenção o que ele diz. Todas as cidades precisam de um louco que diga as verdades.
22.3.09
"Os últimos dias de Sophie Scholl"
20.3.09
Travessia do deserto
Nao acredito em aprendizagem sem esforco. O processo de aprendizagem é doloroso. Mas compensa.
Estou em esforco, sim, mas vejo uma luz ao fundo do túnel. Descrevo-vos a visao: é um fim de tarde com um copo de vinho numa varanda sobre o Lago Maggiore, enquanto dentro se cozinha o nosso jantar.
Assim vou vencendo esta minha travessia do deserto.
Estou em esforco, sim, mas vejo uma luz ao fundo do túnel. Descrevo-vos a visao: é um fim de tarde com um copo de vinho numa varanda sobre o Lago Maggiore, enquanto dentro se cozinha o nosso jantar.
Assim vou vencendo esta minha travessia do deserto.
5.3.09
Mulheres de Atenas
ando pelo laboratório a cantarolar isto. Tenho uma versao cantada pelo próprio Chico, presente do Bartolomeu, mas resolvi postar o Ney Matogrosso.
2.3.09
Resistir ao Inverno
O Inverno já tresanda. Ontem avistei o sol, que já nao o via há uma semana... mas logo se escondeu meio tímido entre umas nuvens esbranquicadas. Hoje ainda pior, tudo outra vez cinzento escuro, bem escurinho, trabalhar em frente à janela de luz acesa.
Isto nao me deprime, nao, isto poe-me é zangada! Nao há mais direito de o Inverno continuar. Já gastei as minhas bombas de boa disposicao, guardadas desde o Verao passado, que eu sou como a formiga do La Fontaine.
Isto requer medidas drásticas.
E portanto, hoje comeco as aulas de danca do ventre. Eu e mais três amigas, com os nossos lencos coloridos pelas ancas, de moedinhas a-dar-a-dar, abanamos os rabos nessa danca da feminilidade e da fertilidade.
Havemos de espantar o inverno. Raios!
Isto nao me deprime, nao, isto poe-me é zangada! Nao há mais direito de o Inverno continuar. Já gastei as minhas bombas de boa disposicao, guardadas desde o Verao passado, que eu sou como a formiga do La Fontaine.
Isto requer medidas drásticas.
E portanto, hoje comeco as aulas de danca do ventre. Eu e mais três amigas, com os nossos lencos coloridos pelas ancas, de moedinhas a-dar-a-dar, abanamos os rabos nessa danca da feminilidade e da fertilidade.
Havemos de espantar o inverno. Raios!
1.3.09
Des Terres & des Hommes
Uma série de documentários sobre uma comunidade nos Himalaias, realizada por Marianne Chaud, que passa ao domingo à noite na TV5Monde. Adoro a maneira como ela filma, quase nunca a vemos, mas sabemos que ela está por trás da câmera. Mantém a distância necessária para contar a estória, mas nota-se como ao longo da série, vai construindo relações com as pessoas que a recebem. Filma a maior parte das vezes interagindo muito pouco com a cena mas há momentos em que, mesmo sem falar, sabemos o que está a sentir. Adoro quando as pessoas já estão à vontade com ela para lhe devolver as perguntas que ela faz.Vale imenso a pena ver!
Aqui estão videos que encontrei, vejam o 4º.
18.2.09
Amanha também é dia
Quando depois de uma noite mal dormida (a sonhar com a experiência que estava a correr, que nerd...), chego cá e as coisas nao funcionaram,
o melhor é fechar o computador, pegar na trouxa e ir para a rua. Feierabend*!
Vou ao supermercado comprar o que preciso para o soufflé que quero fazer logo à noite a uma amiga recente que convidei para jantar. Depois, deito-me no sofá a ler e pode ser que durma uma sesta. E mais para o fim da tarde, abro o vinho e comeco com o soufflé.
(* fim do trabalho, fechou o estaminé, leisure time)
o melhor é fechar o computador, pegar na trouxa e ir para a rua. Feierabend*!
Vou ao supermercado comprar o que preciso para o soufflé que quero fazer logo à noite a uma amiga recente que convidei para jantar. Depois, deito-me no sofá a ler e pode ser que durma uma sesta. E mais para o fim da tarde, abro o vinho e comeco com o soufflé.
(* fim do trabalho, fechou o estaminé, leisure time)
17.2.09
Niki de St. Phalle em Évora!
Disse-me a Teresinha que a Fundação Eugénio de Almeida organizou uma exposição em Évora. A não perder! Chama-se Alegria de Viver e imagino que contenha obras da fase tardia de criacao de St. Phalle.
É a sua fase mais conhecida, como símbolo as Nanas (mulher ou rapariga em francês) que são representações femininas de dimensões gigantes e formas redondas. Transmitem alegria de viver e, mais que isso, alegria de ser mulher. São fecundas, coquetes, livres, poderosas, felizes.
Niki de St. Phalle torna-se ainda mais interessante quando se conhece um pouco mais a sua biografia e trabalhos mais iniciais. Uma relação muito problemática com os homens, talvez por ter sido violada pelo pai (ou padrasto, já nao sei ao certo), um coração partido, um ódio aos homens em geral que ela destila em obras violentas, perturbantes, intensas.

Nas obras desta fase St.Phalle dispara com uma espingarda sobre os quadros. Mais tarde, ela diz sobre esta época
"En 1961 j'ai tiré sur : Papa, tous les hommes, les petits, les grands, les importants, les gros, les hommes, mon frère, la société, l'Eglise, le couvent, l'école, ma famille, ma mère, tous les hommes, Papa, moi-même, les hommes. Je tirais parce que cela me faisait plaisir et que cela me procurait une sensation extraordinaire. Je tirais parce que j'étais fascinée de voir le tableau saigner et mourir. Je tirais pour vivre ce moment magique. C'était un moment de vérité scorpionique. Pureté blanche. Victime. Prêt ! A vos marques ! Feu ! Rouge, jaune, bleu, la peinture pleure, la peinture est morte. J'ai tué la peinture. Elle est ressuscitée. Guerre sans victimes."

Na época mais leve e alegre das Nanas é como se St. Phalle tivesse deixado sair todo o ódio, trabalhado as suas inquietudes e os seus traumas. Mas as Nanas não são só leves e alegres, são também uma manifestação não menos apaixonada do feminino e, se quisermos, do feminismo...
Imagens daqui e daqui.
É a sua fase mais conhecida, como símbolo as Nanas (mulher ou rapariga em francês) que são representações femininas de dimensões gigantes e formas redondas. Transmitem alegria de viver e, mais que isso, alegria de ser mulher. São fecundas, coquetes, livres, poderosas, felizes.
Niki de St. Phalle torna-se ainda mais interessante quando se conhece um pouco mais a sua biografia e trabalhos mais iniciais. Uma relação muito problemática com os homens, talvez por ter sido violada pelo pai (ou padrasto, já nao sei ao certo), um coração partido, um ódio aos homens em geral que ela destila em obras violentas, perturbantes, intensas.

Nas obras desta fase St.Phalle dispara com uma espingarda sobre os quadros. Mais tarde, ela diz sobre esta época
"En 1961 j'ai tiré sur : Papa, tous les hommes, les petits, les grands, les importants, les gros, les hommes, mon frère, la société, l'Eglise, le couvent, l'école, ma famille, ma mère, tous les hommes, Papa, moi-même, les hommes. Je tirais parce que cela me faisait plaisir et que cela me procurait une sensation extraordinaire. Je tirais parce que j'étais fascinée de voir le tableau saigner et mourir. Je tirais pour vivre ce moment magique. C'était un moment de vérité scorpionique. Pureté blanche. Victime. Prêt ! A vos marques ! Feu ! Rouge, jaune, bleu, la peinture pleure, la peinture est morte. J'ai tué la peinture. Elle est ressuscitée. Guerre sans victimes."

Na época mais leve e alegre das Nanas é como se St. Phalle tivesse deixado sair todo o ódio, trabalhado as suas inquietudes e os seus traumas. Mas as Nanas não são só leves e alegres, são também uma manifestação não menos apaixonada do feminino e, se quisermos, do feminismo...
Imagens daqui e daqui.
16.2.09
Lombardia: primeiras impressoes
Quando na sexta feira me sentei à espera do embarque, já nao estava na Alemanha, já estava com um pézinho em Itália: à minha volta, bons sapatos, bom aspecto e bom gosto. Subimos até estarmos por cima das nuvens, sobrevoámos os picos dos Alpes cheios de neve e, do outro lado, o sol ainda brilhava. Uma luz muito branca, o sol reflectido na neve e nos lagos... Lindo!
Embora a paisagem natural seja semelhante (os Alpes, os lagos), a Lombardia é ainda mais bonita que a zona do lago de Genebra. Eu acho que a diferenca está no flair italiano... as antigas vilas lombardas à beira do lago, o caos "organizado" italiano, a comida ohhh tudo é tao simples e delicioso...
No domingo de manha resolvemos ir ao Sacro Monte ao lado de Varese, um sítio que se vê de Varese e que tem uma forca de atraccao enorme... Um monte com uma aldeia encavalitada no topo... misterioso. Valeu a pena! É um local de peregrinacao que se sobe a pé, património Unesco, no topo tem uma aldeia medieval onde vive gente e uma igreja. A vista é de cortar a respiracao... Como nao tínhamos máquina fotográfica, aqui está uma foto que tirei da net:
13.2.09
Pirosices
Como este fim de semana vou visitar o Francois a Itália, hoje pus o meu vestido novo e as minhas botas novas.
Ahhh, que bom que é ser pirosa :)
Mas nao me falem em dias do Santo Valentino que isso até para mim é pirosice a mais!
Ahhh, que bom que é ser pirosa :)
Mas nao me falem em dias do Santo Valentino que isso até para mim é pirosice a mais!
11.2.09
Ainda sobre o filme Liebesleben
A história é uma história universal, mas para a realizadora é importante ter sido filmado em Israel.
Isto pelo facto de os israelitas nao viverem como se tivessem tempo infinito para tudo na vida.
Isto pelo facto de os israelitas nao viverem como se tivessem tempo infinito para tudo na vida.
8.2.09
Liebesleben
7.2.09
Quando a arte aproxima
O primeiro iraniano que conheci foi o Daniel, aquele meu colega de trabalho que deixou os colegas invejosos para trás e foi à vida dele, estudar medicina. Grande Daniel. Mas o Daniel não gostava de falar do Irão e nunca se alargava muito, principalmente se estivessem outras pessoas. Talvez tenha passado uns maus bocados por vir de onde vem.
Uma vez perguntei-lhe pela Satrapi. Não conhecia. Como os livros cá de casa são em Francês, não insisti muito em emprestar-lhos. Também não sei se seria sensível impingir-lhos. Há diferenças culturais ou mesmo biográficas que se devem respeitar. Por muito que eu ache que Satrapi seja muito giro e muito cool e tal, talvez o Daniel até a ache uma parva burguesa cujos papás ricos mandaram estudar para a Europa e que agora está rica às custas de contar como é a vida lá no país dos pobrezinhos. Não insisti mais com este assunto.
Ontem, em casa de um amigo conheci a Ara, também iraniana. Perguntei-lhe então também a ela pela Satrapi. Um bocado a medo, de uma maneira neutra... E os olhos dela brilharam! Que giro eu também conhecer, e como tinha ouvido falar, que a descobriu depois de vir, que no Irão é impossível encontrar, que anda à procura de mais livros, se eu sei de outros, e como se identificou com a história, que a tocou tanto que até chorou a ler, principalmente a parte da guerra... - e aí os olhos pararam de brilhar: a guerra, muito difícil. Parámos de falar por um momento, eu achei que o melhor seria esperar por ela. E depois continuou, que sim que a Satrapi tinha ganho bom dinheiro à custa das histórias do Irão, e agora ainda mais com o filme, mas que é apenas a história vista por ela, sem pretensões, e que está muito bem feito, que é mesmo assim, que também leu o embroideries, que adorou, etc etc
Duas pessoas, eu e ela, vimos de dois extremos geográficos, encontramo-nos no meio, e cria-se uma empatia por causa de uma banda desenhada. Acho que ficámos ambas maravilhadas uma com a outra. Ou talvez tenha sido só eu.
Uma vez perguntei-lhe pela Satrapi. Não conhecia. Como os livros cá de casa são em Francês, não insisti muito em emprestar-lhos. Também não sei se seria sensível impingir-lhos. Há diferenças culturais ou mesmo biográficas que se devem respeitar. Por muito que eu ache que Satrapi seja muito giro e muito cool e tal, talvez o Daniel até a ache uma parva burguesa cujos papás ricos mandaram estudar para a Europa e que agora está rica às custas de contar como é a vida lá no país dos pobrezinhos. Não insisti mais com este assunto.
Ontem, em casa de um amigo conheci a Ara, também iraniana. Perguntei-lhe então também a ela pela Satrapi. Um bocado a medo, de uma maneira neutra... E os olhos dela brilharam! Que giro eu também conhecer, e como tinha ouvido falar, que a descobriu depois de vir, que no Irão é impossível encontrar, que anda à procura de mais livros, se eu sei de outros, e como se identificou com a história, que a tocou tanto que até chorou a ler, principalmente a parte da guerra... - e aí os olhos pararam de brilhar: a guerra, muito difícil. Parámos de falar por um momento, eu achei que o melhor seria esperar por ela. E depois continuou, que sim que a Satrapi tinha ganho bom dinheiro à custa das histórias do Irão, e agora ainda mais com o filme, mas que é apenas a história vista por ela, sem pretensões, e que está muito bem feito, que é mesmo assim, que também leu o embroideries, que adorou, etc etc
Duas pessoas, eu e ela, vimos de dois extremos geográficos, encontramo-nos no meio, e cria-se uma empatia por causa de uma banda desenhada. Acho que ficámos ambas maravilhadas uma com a outra. Ou talvez tenha sido só eu.
5.2.09
Happy-go-lucky
Viva o clube de vídeo de Arheilgen! Já tinha quase perdido a esperanca, mas valeu a pena ir perguntando.Poppy (Sally Hawkins) é uma professora primária londrina, 30 anos. Leve e jovial, leva a vida com humor e vê sempre o lado bom, o copo meio cheio. A personagem vai-se tornando cada vez mais interessante à medida que nos vamos embrenhando na vida de Poppy e principalmente através da maneira como se relaciona com os outros. Os pontos altos sao as aulas de conducao com um instrutor perturbado, racista e associal, que se irrita mas ao mesmo tempo fica perturbado com a maneira de ser de Poppy, deslumbrado com a sua liberdade.
Prémio de melhor actriz do festival de cinema de Berlim.
Sinais
Quando de manha a caminho do trabalho tenho a impressao que um bando enorme de pássaros excitados acabou de chegar ao meu bairro
e
tenho que deixar a bicicleta longíssimo da entrada,
sei que a Primavera já nao está longe...
e
tenho que deixar a bicicleta longíssimo da entrada,
sei que a Primavera já nao está longe...
29.1.09
Rititi de volta ao trabalho
Porque uma mulher pode mudar de ideias. E muda.
Eu, que embirro com esta cultura alema de mulher-mae-e-esposa, que sou por mulheres independentes e livres de escolher o que querem, arrisco-me a um dia também vir a mudar de ideias e a chorar no primeiro dia de creche...
Eu, que embirro com esta cultura alema de mulher-mae-e-esposa, que sou por mulheres independentes e livres de escolher o que querem, arrisco-me a um dia também vir a mudar de ideias e a chorar no primeiro dia de creche...
27.1.09
Ipsilon online
A minha qualidade de vida de emigrante - da qual aliàs nao se me ouvem queixas - vai melhorar.
Obrigado ao Morte, por se lembrar de como estas coisas sao essenciais ;-) se bem que jornais desactualizados versao papel lidos e relidos e trocados entre emigrantes com anotaçoes... esses sao insubstituiveis.
Obrigado ao Morte, por se lembrar de como estas coisas sao essenciais ;-) se bem que jornais desactualizados versao papel lidos e relidos e trocados entre emigrantes com anotaçoes... esses sao insubstituiveis.
No man's land
Durante a guerra da Bosnia, um sérvio e um bosnio apanhados entre as linhas inimigas, na no man's land. Uma reflexao sobre o absurdo da guerra, a actuaçao das Naçoes Unidas, mostrada de forma satirica, e como um incidente se torna rapida e imprevisivelmente num show mediatico internacional. Oscar para melhor filme estrangeiro.Isto na mesma semana em que conheci o kosovar.
26.1.09
contactos humanos
O senhor do bar era do Kosovo e merecemos apertos de maos e sorrisos por virmos de países que reconheceram a independencia do Kosovo.
16.1.09
Português do programa Contacto desaparecido em Berlim
Foi visto pela última vez em Berlim (ponto A do mapa) às 04h00 de dia 10/01/2009. Dirigia-se para casa (ponto B do mapa)
Se tem alguma informação, por favor contacte-nos!
Vermisst!
Haben Sie diese Person gesehen?
Er wurde letztes Mal in Berlin gesehen (Punkt A auf der Karte) und er war unterwegs nach Hause (Punkt B auf der Karte) um 4:00 Uhr 10/01/2009
Kontaktieren Sie uns, bitte!
http://findafonsotiago.blogspot.com/
findafonsotiago@gmail.com
Deutsche Polizei:
Tel: (030) 4664 912402 und 4664 912410
Fax: (030) 4664 912499
E-Mail: vermisstenstelle@polizei.berlin.de
13.1.09
Epigenética - Aplicacoes
Cancro e Alzheimer.
Claro, doencas com forte componente genética.
Isto fala comigo!
Claro, doencas com forte componente genética.
Isto fala comigo!
Epigenética
Ontem na televisao um programa sobre epigenética. O Francois já conhecia, liga-se com a toxicologia. Mais uma vez, bem empregue o tempo e dinheiro nas aulas de alemao.
Entao é assim, nós nascemos com um património genético que nos fixa os "limites" dentro dos quais nos podemos desenvolver. As variacoes dentro de indivíduos com o mesmo património genético (por exemplo, gémeos verdadeiros) sao influenciadas pelo ambiente. Isto porque os genes que possuímos sao ligados ou desligados, dependendo de certos sinais celulares. Que estes sinais celulares sao influenciados pelo ambiente, pelo que comemos, pelo estilo de vida, nao é novidade.
A novidade na epigenética é como essa influência do ambiente se transmite para as geracoes seguintes! Um dos exemplos é a mosca da fruta, normalmente com olhos brancos, que, quando exposta ao calor, muda a cor dos olhos para vermelho. Ora o melhor é que filhos de mosca da fruta expostas ao calor também têm os olhos vermelhos! Outro exemplo sao as criancas nascidas no Inverno de 1944/45 em Amsterdao, o Inverno na Fome, quando os alemaes cortaram as vias de abastecimento para a Holanda. Aqui, nao só as criancas que viveram este Inverno da Fome como também os seus descendentes ainda sofrem os efeitos da fome (baixa estatura, colesterol, etc). (Um aparte: Audrey Hepburn viveu em Amsterdam no Inverno da Fome e a anemia, infeccoes respiratórias e até a depressao de que sofreu foram relacionadas com a malnutricao enquanto crianca em Amsterdao.)
A novidade da epigenética, para mim uma novidade, é importante! Nao encaixa na teoria de Darwin, em que a evolucao é mero fruto do acaso e da seleccao natural, mas completa-a. À luz da epigenética, o ambiente afecta a evolucao! Este é um website óptimo sobre o tema epigenética: estudo das mudancas hereditárias no genoma que ocorrem sem alteracao do DNA. Miguel Constância, português, biólogo da Universidade do Porto, cientista no Reino Unido, é investigador em epigenética e aparecia no programa.
3sat é o melhor canal de televisao de sempre.
Entao é assim, nós nascemos com um património genético que nos fixa os "limites" dentro dos quais nos podemos desenvolver. As variacoes dentro de indivíduos com o mesmo património genético (por exemplo, gémeos verdadeiros) sao influenciadas pelo ambiente. Isto porque os genes que possuímos sao ligados ou desligados, dependendo de certos sinais celulares. Que estes sinais celulares sao influenciados pelo ambiente, pelo que comemos, pelo estilo de vida, nao é novidade.
A novidade na epigenética é como essa influência do ambiente se transmite para as geracoes seguintes! Um dos exemplos é a mosca da fruta, normalmente com olhos brancos, que, quando exposta ao calor, muda a cor dos olhos para vermelho. Ora o melhor é que filhos de mosca da fruta expostas ao calor também têm os olhos vermelhos! Outro exemplo sao as criancas nascidas no Inverno de 1944/45 em Amsterdao, o Inverno na Fome, quando os alemaes cortaram as vias de abastecimento para a Holanda. Aqui, nao só as criancas que viveram este Inverno da Fome como também os seus descendentes ainda sofrem os efeitos da fome (baixa estatura, colesterol, etc). (Um aparte: Audrey Hepburn viveu em Amsterdam no Inverno da Fome e a anemia, infeccoes respiratórias e até a depressao de que sofreu foram relacionadas com a malnutricao enquanto crianca em Amsterdao.)
A novidade da epigenética, para mim uma novidade, é importante! Nao encaixa na teoria de Darwin, em que a evolucao é mero fruto do acaso e da seleccao natural, mas completa-a. À luz da epigenética, o ambiente afecta a evolucao! Este é um website óptimo sobre o tema epigenética: estudo das mudancas hereditárias no genoma que ocorrem sem alteracao do DNA. Miguel Constância, português, biólogo da Universidade do Porto, cientista no Reino Unido, é investigador em epigenética e aparecia no programa.
3sat é o melhor canal de televisao de sempre.
7.1.09
6.1.09
Casablanca
Adolescente aspirante a músico
- Vou-te tocar uma música que compus.
...
- O que achaste?
- Gostei. Nao te consigo fazer uma crítica mais rica, nao percebo de música e nem tenho grande cultura musical.
- Ah, nao interessa, diz-me só o que sentiste.
O sonho dele é a música. Para os pais, música nao é profissao. Entretanto ele vai sonhando.
A adolescência pode ser bonita.
...
- O que achaste?
- Gostei. Nao te consigo fazer uma crítica mais rica, nao percebo de música e nem tenho grande cultura musical.
- Ah, nao interessa, diz-me só o que sentiste.
O sonho dele é a música. Para os pais, música nao é profissao. Entretanto ele vai sonhando.
A adolescência pode ser bonita.
Leva-me 10 minutos a pé até à outra ponta da fábrica. As bicicletas foram proibidas por causa da neve e do gelo. Caminho na noite. As ruas sao compridas, desertas e geladas. Levam nomes de cidades. Por cima de mim passam condutas velhas e escuras. Ouvem-se motores, ventiladores.
Sinto-me numa cidade industrial soviética.
Sinto-me numa cidade industrial soviética.
5.1.09
Ano Novo
Como a Penelope Jolicoeur, também nao gosto de resoluçoes de Ano Novo.puer é cheirar mal, fion é rabo.
23.12.08
Bretanha
Quando se chega da Alemanha, isto é uma orgia para os sentidos, o mar, ohh o mar, o cheiro a mar, a luz do mar, os produtos do mar, os vegetais, a carne, o pao, a manteiga, ohhh a manteiga...
Hoje vamos comer galettes (crepes salgados) mistas com ovo a cavalo e beber cidra em tijelas (very typical) com uma amiga.
Diz que eu sou um estômago...
Hoje na praça
quando perguntei à peixeira se oleo, em vez de manteiga, também servia para fritar os linguados,
fez-me os olhos mais assassinos de sempre!
Depois, passado uns milésimos de segundo, recompôs-se à boa maneira francesa e par politesse condescendeu e disse: Enfin, moi je suis plutôt beurre, aprés vous faites comme vous voulez... como quem diz "se quiseres estragar os linguados é la contigo".
22.12.08
Rochefort-en-Terre
A Roche Forte, uma fortaleza, uma igreja dedicada a Nossa Senhora e uma aldeia, surgiu no século XII por razoes estratégicas: controlar uma via de passagem importante. No século XXVIII, altura em que o castelo é destruido pelo exército republicano, a aldeia prospera gracas as industrias textil (linho), da madeira e da ardosia e ao comércio.
Em 1900, a aldeia atrai pintores, os primeiros turistas de Rochefort; alguns instalam-se aqui. O castelo é comprado por um pintor americano em 1907. Hoje, Rochefort continua a exercer esta atracçao sobre artistas e artesaos, franceses e estrangeiros, que aqui vivem e abrem ateliers. Sao oleiros, pintores, trabalhadores do couro, os que fazem foles e bijutaria. Imagino que venham também aproveitar a exposiçao que lhes da um sitio onde vêm tantos turistas. Rochefort tem além disto uma vida cultural surpreendente e até se diz que alguns dos que aqui vivem sao soixanthuitards, gente que fez o Maio de 68.
Vejam aqui uma foto, que eu nao sei trabalhar com Mac.
19.12.08
Amanha em Paris
Gosto muito de chegar a Paris e ter que atravessar a cidade de metro para continuar a viagem do outro lado. Dá-me um cheirinho de cidade, de pessoas bem vestidas, outras nem por isso, pessoas de cidade grande, muitos cartazes, filmes, teatro, música francesa, a maior parte nao conheco, gosto de ver os bonecos como as criancas, gosto do ecletismo das cores, das pessoas, do entra e sai do metro, do sobe e desce dos corredores, dos km que se anda ali por baixo sem ver o dia. E depois chego ao outro lado, sento-me outra vez no comboio e deixo para trás Paris. Tao curto e tao bom. Mesmo que tivesse a possibilidade de nao parar em Paris e perder uma hora a atravessar a cidade, mesmo assim, acho que preferia fazê-lo.



Imagens daqui, daqui e daqui.



Imagens daqui, daqui e daqui.
18.12.08
Aberto para Balanço
Sozinha na cama que é grande, ponho-me a fazer um balanço do ano 2008. E fico feliz.
2008 foi o ano sem medo, o ano em que decidi ser mais eu.
O ano em que percebi que felicidade é um exercicio e nao um estado de espirito. O exercicio de escolher ir à aventura de cada dia e de escolher partilha-la com os que estao à nossa volta.
2008 foi o ano sem medo, o ano em que decidi ser mais eu.
O ano em que percebi que felicidade é um exercicio e nao um estado de espirito. O exercicio de escolher ir à aventura de cada dia e de escolher partilha-la com os que estao à nossa volta.
17.12.08
Reeperbahn
A Reeperbahn de Hamburgo é conhecida pelas sex shops, os clubes de striptease, a prostituicao. Ontem, na televisao alema, um programa muito interessante sobre as pessoas da Reeperbahn e do bairro envolvente, o St Pauli. A striper que esta agora a comecar, o sessentao de barriga de cerveja e corrente ao pescoco, o médico de familia que visita os idosos solitarios do bairro e regressa a casa com bolos feitos em casa embrulhados em papel de aluminio, a familia com 3 filhos que por um lado quer procurar um sitio mais calmo, por outro sente-se ali em casa.
E numa rua lateral de St Pauli, o Lockengelöt, dois amigos que abriram uma loja/atelier/centro cultural onde transformam lixo em objectos de design. O "lixo" quase sempre vêm-no trazer a porta da loja, coisas que ja nao têm uso, discos e livros, maquinas velhas, bidons de oleo... E eles transformam-no em coisas assim:
mala de vinil
armario de parede
tijela de vinil
E numa rua lateral de St Pauli, o Lockengelöt, dois amigos que abriram uma loja/atelier/centro cultural onde transformam lixo em objectos de design. O "lixo" quase sempre vêm-no trazer a porta da loja, coisas que ja nao têm uso, discos e livros, maquinas velhas, bidons de oleo... E eles transformam-no em coisas assim:
mala de vinil
armario de parede
tijela de vinil
Turma da Mônica

Ia à tabacaria da rua dos cafés, aquela que tinha um senhor que falava esquisito, e comprava livros da turma da Mônica para ler à noite no sotao de casa da Avo.
Agora parece que a turma da Mônica cresceu e é em estilo Manga...
Estranho...
Mas esta noticia transportou-me ao sotao de casa da Avo, com o cheiro a mofo, os colchoes de palha e o sino da igreja a dar as horas.
14.12.08
Coisas boas da vida


"Este livro deveria permitir-me solucionar o conflito no Médio Oriente, receber o meu diploma e encontrar uma mulher. Parte 1", por Sylvain Mazas
é a a tese académica sobre comunicacao de um francês a viver em Berlim, que faz uma viagem ao Libano para este trabalho. E' um ensaio grafico genial, engracado e despretensioso sobre maneiras de ver a vida, e problemas centrais da existência como felicidade, amor, o conflito no Médio Oriente, a bondade e a maldade que cada pessoa tem dentro de si.
Este livrinho foi um dos achados de 2008. Encontramo-lo loja de banda desenhada de Darmstadt, cujo dono é o exemplo vivo do abismo entre uma pequena loja especializada e uma cadeia impessoal. E é por estas coisas que fico contente de ter aprendido alemao.
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