26.8.09

Darmstadt

A quem vive do outro lado do mundo, expliquei Darmstadt assim:

"uma cidadezinha universitaria alema, com um certo charme, muita vida cultural, onde os verdes ganham as eleicoes, a vida social se faz em casas de uns e de outros onde um amigo novo é sempre bem-vindo e o meio de deslocacao é uma bicicleta em segunda mao comprada na feira da ladra..."

Será que já me ando a despedir?

23.8.09

Feira é revolver trapos

Saio de casa cedo. Gosto da luz oblíqua das manhãs e de ter o dia todo pela frente. Vou de eléctrico até perto do centro e depois ando umas centenas de metros a pé até ao sítio que me indicaram. Como é possível viver aqui há 4 anos e nunca ter ido à feira da ladra que se monta todos os sábados? Procuro uma bicicleta em segunda (ou mais antiga) mao, desde que estampei a minha contra um carro. Nao compro bicicletas novas porque sao sempre más.

A feira tem mais de feira que de ladra. Por momentos transporto-me para a feira do relógio, mas uma feira do relógio mais cool, menos quente, com menos gente e menos cheiro. Pregões! Nao imaginam como é bom ouvir pregões na Alemanha! Bancas com pilhas de trapos a 2 euros, o paraíso! Sinto-me em casa, revolvo as pilhas como só nós as descendentes da minha mãe sabemos fazer e a minha cunhada Paula adora. Discuto com o vendedor que me quer fazer a 3 euros o que estava na pilha de 2. Pensa que eu sou alemã e me calo. E experimentar, posso? Se experimentar é mais um euro, sao 3. diz ele e eu respondo Devia ter perguntado mais cedo, assim levava a 1, sem experimentar. Ele ri-se.

Passeio de mochila às costas pela feira da ladra, refreio-me umas poucas de vezes para nao comprar lixo. Gosto do ambiente. Muitos estrangeiros, bancas de fatos de dança do ventre, de véus e de túnicas para muçulmanas. À saída descubro uma banda de verduras, uma algazarra, tudo a escolher, a pesar, a discutir. Uma matrona italiana com bom aspecto e a sua filha cinquentona discutem discretamente a qualidade da mercadoria e o bom preço. Mães turcas empurram carrinhos de bébés, mas os bébés nao se vêem, estão cobertos de mercadoria: frutas e legumes, tachos em segunda mao dentro de caixas velhas, trapos, um leitor de vídeo também dentro da sua caixa velha, e elas arrastam as túnicas compridas e gritam para os outros miúdos que saltam à sua volta.

21.8.09

Exportacoes portuguesas

A Sonae está a construir um enorme centro comercial a caminho do aeroporto de Frankfurt. Ainda acredito que a moda dos centros comerciais nao vai pegar na Alemanha (há quem diga que já pegou) e que vamos continuar a ter centros de cidade bonitos e com vida.

Imagem tirada de Frankfurter Rundschau.

4.8.09

Impressions of Finland

Far from the world. Green silence. Sauna, swim between water-roses, orange water. Hot body, cold skin, an indescribable sensation. Peace. Go back to the sauna, one more löyly. Sauna conversations that stay in the sauna. The cycle sauna-swim-sauna can last forever.

No tap water. We warm up rainwater in the sauna. The shower implies too much movement for 80°C temperature. It takes away your last anxiety and uneasiness and your last thoughts. Afterwards one just feels in peace with life and the world. We share confidences. We do the first gin tonic of the evening and start preparing dinner: start the grill, prepare the vegetables.

Time does not run - it flows slowly. The endless light hours help that feeling. At 3 in the morning we do a last night walk to the bridge where we can see the unbelievable colours of the dusk in the horizon, reflected on the water. The sky is never completely dark. But we can see stars, even falling ones. And satelites crossing the sky very fast – the only sign that there is a world beyond the forest.

The forest is magical, inhabited by long blond haired translucid fairies. The tree trunks are white and on the ground red fruits grow. We collect them for a pie. I identify references from fairy tales that can only come from this place. I find it curious that I have references I never questioned and now they make sense. Fairies are not portuguese; they have to be nordic.

They all have long blond hair and talk a vocals-full language. They talk with a tough voice, in a low tone, especially women. When we walk back home from the bridge at night, they forget about us and talk finish together. I am next to them and try to become invisible. I don’t want them to stop. I like that music where I cannot give a sense to any sound. It is a lulling mantra. Some things cannot be put into words. From that not understandable mantra I get a hint of finish essence.

Finlândia - Impressoes

Longe do mundo. Silêncio verde. Sauna, nadar no meio de nenúfares, água cor-de-laranja. Corpo quente, pele fria, uma sensacao indescritível. Paz. Voltar para a sauna. Mais um löyly*. Conversas de sauna ficam na sauna. O ciclo sauna-nadar-sauna pode prolongar-se indefininadamente.

Nao há água corrente. Aquece-se na sauna água da chuva. O duche implica movimento a mais dentro da sauna a 80°C. Acaba com as últimas angústias, as últimas inquietudes, os últimos pensamentos. Depois disso, está-se simplesmente em paz com a vida e com o mundo. Partilha-se confidências. Prepara-se o primeiro gin tónico do serao e comeca a pensar-se no jantar: acender a fogueira dos grelhados, preparar os vegetais.

O tempo nao corre, preguica e escorre devagar. A isso ajudam as intermináveis horas de luz. Às 3 da manha faz-se um passeio nocturno antes de ir dormir. Anda-se por entre a floresta até à ponte, de onde se tem uma vista indiscritível das cores do crepúsculo no horizonte, reflectidas na água. O céu nunca chega a ficar escuro. Mas vêem-se estrelas, até cadentes. E satélites, que cruzam o céu a toda a velocidade. Sao o único sinal desse mundo que existe para lá da floresta.

A floresta é mágica, habitada por fadas translúcidas de longos cabelos loiros. Os troncos das árvores sao brancos e no chao crescem frutos vermelhos que colhemos para uma tarte. Identifico referências dos contos de fadas que só podem vir deste sítio. Acho curioso eu ter referências que nunca questionei e que agora fazem sentido. As fadas nao sao portuguesas, têm que ser nórdicas.

Todas têm longos cabelos loiros e falam uma lingua cheia de vogais. Falam numa voz dura, num tom baixo, principalmente as mulheres. Quando voltamos para casa depois do passeio nocturno, esquecem-se de nós e falam finlandês as três. Eu estou ao lado delas e tento tornar-me invisível. Nao quero que parem. Gosto dessa música onde nao consigo dar nenhum significado. É uma ladainha que me embala. Nem tudo pode ser posto em palavras. Dessa ladainha incompreensível apanho um bocadinho da essência da Finlândia.

*Água que se atira nas pedras da sauna.

Transat, Aude Picault

Tu ne peux "rater" ou "réussir" ta vie. Tu ne peux que la vivre...

29.7.09

Finlândia

Madrugada às 3:39. Noite às 23:20.
Crepúsculos infinitos e de todas as cores.
E lagos, pesca, grelhados, sauna, paisagem.
Até segunda!

23.7.09

Bola

A equipa feminina de futebol está mesmo em baixo: só assim se explica que me aceitem para ir treinar com elas. Eu, que nao devo tocar numa bola há 10 anos - mais ou menos desde que os professores de educacao física do liceu deixaram de insistir.

Da minha parte, acho que correr atrás de uma bola é uma boa variacao a correr ao longo dos campos de espargos. De qualquer maneira, suor e endorfinas.

21.7.09

histórias da carochinha

Perguntaram-me que contos populares se contam em Portugal e, no momento, só consegui lembrar-me dos Irmaos Grimm e das Fábulas do La Fontaine. Também me lembrei da história da Inês de Castro, que nao é um conto popular. Quando muito uma lenda.

Fiquei a pensar nisso: de certeza que há contos populares portugueses. Procurei rapidamente na internet e encontrei a História da Carochinha. Claro! A Carochinha, tao bonita e formosinha, e o Joao Ratao, que caiu no caldeirao! Fiquei curiosa de relembrar outros contos em que há muito tempo nao pensava.

É sempre quando me confronto com outra cultura que tomo consciência da minha. E muitas coisas sobre as quais nunca tinha reflectido, ou que achava "normais", tornam-se assim culturais e, portanto, especiais.

16.7.09

Vicky Cristina Barcelona *

As personagens sao quase interessantes. Quase. Sao tao superficiais que chegam a ser irritantes. A história nao convence, está-se até ao fim à espera do resto, que nunca chega. Mas também nao vejo outra maneira de safar o filme. É como se estivéssemos fartos e resolvêssemos acabar com ele, mandando as personagens às suas respectivas vidas, sem grandes explicacoes.

Agora, sinceramente, nao foi uma hora perdida...

* de Woody Allen

Before Night Falls *

História de vida do escritor cubano Reinaldo Arenas, homossexual e subversivo, perseguido pelo regime de Fidel. Baseado na sua autobiografia. O Javier Bardem está excelente (excelente! vezes dois!) e as curtas aparicoes de Johny Depp fizeram-me andar para a frente e para trás com o filme.

* de Julian Schnabel

"É melhor ser alegre que ser triste"

Tenho duas aves exóticas na cozinha, de uma amiga que as deixou e foi de férias.

Toco-lhes música brasileira. Com o violao e a batucada, sentem-se em casa e nao sabem porquê.

Está-lhes no sangue.

E dançam.

13.7.09

Yanz

Ele: Tens tempo no domingo? Vamos ao cinema drive in ver o Ice Age?
Eu: A sério? Como nos filmes? Nem sabia que havia um drive in aqui.


Nao posso imaginar nada mais cheesy do que ir a um drive in. Ainda por cima ver o Ice Age...
Como pode uma pessoa pensar tudo errado? Ou entao é a pessoa que é errada.

3.7.09

NY

O Lorenzo é galego e está a viver em Nova Iorque. Sempre nos entendemos a falar cada um a sua língua. O galego é como um espanhol muito mais doce ou um português esquisito.

por suposto que podes polas fotos donde queiras,
(...) e moitas gracias polo teu blog, botareille unha ollada...




Mais fotos aqui.

Comparacoes inúteis

Imaginemos a vida como a entrada de uma barra:
apenas sabemos onde nao devemos ir, zonas com rochas escondidas ou de baixios. O caminho que fazemos dentro do corredor do possível depende do vento e das ondas. E nao vale a pena forcar uma rota.

1.7.09

Ich liebe dich auch

Dona Branca veio de nave espacial e aterrou no planeta Couscous. Andou de olhos abertos, perguntou, cheirou, provou, quis saber, opinou. Desfiámos vidas, a comecar pelas nossas, questionámo-nos e filosofámos sem nunca chegar a conclusoes, que nao é essa a finalidade. Banhámo-nos em águas mornas, dancámos salsa e apaixonámo-nos as duas pela inglesa de vestido amarelo e sapatinho branco que veio tocar ao festival.

Se ainda nao viram a reportagem, facam favor.

20.6.09

Obras em Arheilgen

Vivo na rua principal de um bairro fora do centro, a norte de Darmstadt. Um bairro antigo e envelhecido, embora nos últimos anos muita gente nova tenha vindo viver para uns prédios novos que construíram na periferia. A minha senhoria, por exemplo, vive nesta casa onde estou desde que nasceu e antes dela viveram os pais e os avós.

Hoje voltei a ter eléctrico à porta, depois de dois anos de obras e pó para aumentarem a linha do eléctrico e já agora termos passeios novos e mais largos, árvores, carris silenciosos e, esperemos, menos transito. Quando fui ao pao, vi o cortejo de inauguracao: eléctricos antigos seguidos de um dos novos, todo brilhante. Dos antigos, um até era a vapor. E nós de Arheilgen saímos à rua, uns de propósito, outros a caminho do pao, e vimos o cortejo passar. Tiraram fotografias, juntaram-se à conversa, na padaria queixaram-se do muito que lhes custou.

E têm razoes de queixa: parte da obra é paga pelos moradores da rua onde o eléctrico passa! A continha será apresentada no fim de concluídos os trabalhos, consoante a área de terreno de cada morador. Pelo que ouvi, à volta de 10.000 euros. E quem nao tem dinheiro para pagar? Ah, nao há problema, faz um crédito, hipoteca a casa, ou vende. E nao há cá mais conversas. Eu nao consigo perceber isto, e muito menos quando os moradores das ruas à volta, que aproveitam a ligacao de eléctrico tanto como os da rua principal, sem o inconveniente do barulho, esses nao pagam nada. Entao uma obra destas, que serve indiscutivelmente toda a comunidade, nao deveria ser paga por todos?

Se

eu hoje estivesse em Lisboa, ía para a Fnac ouvir CDs a manha toda.

9.6.09

C A L M A

vem de "com alma".
Stephan Doitschinoff, paulista, representa a mistura que é o Brasil. Folclore e cultura urbana, símbolos cristaos e pagaos.
Foi a Teresinha que mo ofereceu, nao haveria melhor presente. Vejam o filme e mais aqui.



TEMPORAL : The Art of Stephan Doitschinoff (aka Calma) from Jonathan LeVine Gallery on Vimeo.

7.6.09

Couscous faz servico cívico - impressoes

Ocupei a mesa de voto 460 de Arheilgen. Além das europeias, em Darmstadt também se votou para um referendo sobre a construccao ou nao de um túnel através do centro da cidade que supostamente tiraria o tráfego das zonas de habitacao. Talvez por isso, tivémos 50% de votantes na minha mesa. O mais giro foi estar ali, ver os meus vizinhos desfilar, e gozar as reaccoes.

A minha colega da esquerda avisou-me logo: as pessoas em Arheilgen sao muito conservadoras, aqui ganha o CDU (partido conservador católico! - nao confundir com "nossa" CDU). Fiquei avisada. E nao se enganou, mas na contagem geral de Darmstadt foram os Grünen (verdes) que ficaram à frente. O melhor foi quando ela comecou a discutir sobre a razao de (nao) ser do túnel referendado com um senhor que tinha acabado de votar. Ainda olhou para mim a meio da conversa, à procura de aprovacao, e eu assobiei baixinho.

Mas os highlights do dia devo-os à colega da direita. Comadre fofoqueira, explicou-me que vinha para a mesa porque para estar sentada em casa preferia estar ali. Tinha a posicao de poder: de lista na mao, fazia as cruzinhas e dizia às pessoas Jetzt dürfen Sie, e gozava aquele poder com prazer que nao escondia. E quando as pessoas desapareciam ía a correr inspeccionar os cartoes e tecia os seus comentários: Nao sabia que este era doutor, Olha esta veio sem o marido, Onde estao os pais deste que ainda nao vieram,... Também percebi que nao gostava de estrangeiros. Cada vez que aparecia alguém de ar pouco "ariano", mexia-se muito na cadeira e quando eles desapareciam tratava-os por Ausländer. A certa altura, depois de uma senhora de véu ter votado disse Há muita gente desconhecida a vir votar. Ao que eu respondi Olhe, para mim, sao todos desconhecidos!

Depois havia os papistas em último grau: ralhavam de cada vez que um casal de idade comecava a discutir o voto por detrás da cabine (ternurento, na minha opiniao) ou que uma mae ou pai levava uma filha ou filho com eles para os verem votar (bonito, na minha opiniao, lembro-me de ir com a minha mae e de sentir que era uma coisa importante).

5.6.09

Trippy hop

Vou correr, para o campo. Sem música. Oiço a erva seca. E os apanhadores de espargos, que nao sao alemaes. Suo e produzo endorfinas: duas coisas boas.

Volto e ponho a tocar um CD que um amigo me gravou. Tem escrito no CD, em letra de mau aluno, "trippy hop". Nao sei o que é. Transporta-me para lounges à beira-mar e copos de martini com uma azeitona.

Bebo água e vejo, pela janela, o senhorio. Corta a relva de cuecas e t-shirt.

Na vida, os pequenos prazeres devem ser reaprendidos tantas vezes quantas for preciso.

3.6.09

Atitude

"I'm often asked in interviews what I look for when I'm out shooting.
I reply that I just try to keep my mind open so I can see what I'm not expecting."

The Sartorialist

29.5.09

perceber vs. fazer

Ele - Nós, matemáticos, percebemos o mundo, mas no fundo nao sabemos fazer nada.
Eu - Nós, engenheiros, fazemos coisas sem as perceber muito bem, mas fazêmo-las.

Cerejas

A minha colega trouxe-me uma tigelinha de cerejas. As primeiras do ano.

Eu vendo-me barato.

28.5.09

A nuvem passou

só nao me está a apetecer escrever.

É engracado constatarmos a nossa própria pluralidade. Aquela do estado de espírito grave, do existencialismo, sou eu. A hedonista que vai hoje beber uns copos ao Schloßgrabenfest, sou eu.

26.5.09

Existencialismo

Até os meus alicerces perderam firmeza: esta foi a extensao dos estragos. Acreditei tao forte, estive tao pronta para tudo, disposta a dar tanto e tanto. A minha razao de viver passava por tê-lo ao meu lado. Loucura?

O existencialismo é doloroso. Nao se tem descanso, questionando sempre se isto e aquilo faz algum sentido, procurando incessantemente uma alguma coisa a que se agarrar, que dê algum sentido à vida. Eu tinha-a encontrado. Para mim era a luta de maos dadas, olhando em frente, era a partilha. Agarrar-me a ele era como agarrar-me ao vento, mas eu gostava disso mesmo. Ao pé dele sentia-me pronta para tudo, forte para tudo, alegre e excitada com essa luta.

Agora, assim de repente, tudo parece apenas dias que correm. E será a vida só isto, afinal?

Mas sei: continuo a luta de maos dadas, só há uma mao que já nao está lá. E sei: vou continuar a partilhar e a deixar entrar (e sair) pessoas da minha vida.

20.5.09

Eu atirava-a agora mesmo pela janela do segundo andar. E depois fechava a janela, para nao me incomodarem os gritos.

claramente inspirado pelos relatos de Max Aub, em Crimes Exemplares, com que me mimou a Teresinha.

"os filhos das colegas de trabalho sao invariavelmente sobredotados"

é verdade. E comprova-se aqui com a minha colega.

Mas onde é que eu li isto?

18.5.09

Há aquele momento da noite em que nada faz sentido

e há aquele momento do dia em que tudo volta a fazer. É redentor.

De nada me arrependo, a vida é isto mesmo.

14.5.09

naaaaaaaa

cinzento nao.
E preto nao gosto, pode ser muito ecológico, como dizem esses site-meters da ecologia, mas eu nao gosto. E aqui mando eu.

Aviso

Ainda nao estou satisfeita, este nao é o "layout" final.

11.5.09

Murro no estômago

o título roubei-o à Lira.

7.5.09

E este fim-de-semana

vou pintar outra vez.
E acho que vou pintar cá com uma gana.

Cientistas de costas viradas

Hoje fui mostrar o que valia aos cientistas. Um senhor, de meias e sandálias, virava o disco e tocava o mesmo: que análises de medicamentos em tubo de vidro nao têm significado porque nunca podem mimetizar o que se passa na realidade na cultura de células ou no corpo. E que é por isso que os cientistas de tubos de vidro e os de cultura celular andam sempre de costas viradas.

Ora, se assim fosse, ninguém fazia caracterizacao de medicamentos, e o objectivo nao é mimetizar o que se passa na célula, para isso existe a célula mesma. O objectivo é dividir um sistema muito complexo em vários sistemas mais simples, limitados é certo, mas compreensíveis. A informacao que daí se tira deve ser interpretada cautelosamente e nunca se tem certezas, mas pode ter-se um conjunto de resultados que apontam numa determinada direccao e que suportam uma determinada teoria.

Eu mantive-me firme - bendito Inderal! E até acho isto um treino valioso!

Eu nem ligo a estas coisas

e até sou contra os site-meters, que implicam com a minha liberdade. Mas, há uns tempos, ao abrir o blog reparei no seguinte "Tem dois followers". Fiquei logo toda contente. E curiosa. Quem sao, entao, estes followers (isto parece followers de uma doutrina ou assim, ou do cientista do Battlestar Galactica).

Uma, a minha amiga Branca - sem surpresas, é sabido que somos followers uma da outra. A outra, uma desconhecida que me deve ter achado graca - se nao me engano era uma amante de Arte Nova que veio cá parar numa altura em que fiz um post sobre a piscina Jugendstil de Darmstadt. Pois deve ter-se desiludido com a falta de posts de Arte Nova. Porque hoje reparei que já só tenho uma follower. E pronto, assim foi a amante de Arte Nova à sua vidinha... Adeus, e até sempre!

25.4.09

Neste lindo dia da liberdade

fui ajudar a pintar a casa nova de bons amigos.

Ele ouve trash punk e ela toca piano clássico, ele gosta de decoração minimalista e ela de bric-a-braque, ele é turco, ela parisiense. Respeitam-se, completam-se, cuidam muito um do outro, sabem que a vida não é sempre fácil e aceitam o sucesso com a dignidade de quem o merece e a humildade de quem sabe que nada é eterno.

De rádio ligado e lenço na cabeça, ele de rolo grande, nós as duas nos detalhes. Pelo meio, pausas com chá turco e camembert barrado em baguete. Não me poderia ocorrer melhor coisa para fazer neste dia.

19.4.09

De ruibarbo

é o crumble de hoje. Há que tempos queria experimental. E a Laure e o Murat sao boas cobaias.

17.4.09

Saber vender

Chegou a altura de provar o que valho. A pesca até foi boa, mas agora tenho que vender o peixe. Hoje ao almoco contei isso ao Joe, um americano que, aos 50 anos, atravessou o Atlântico para vir trabalhar aqui. Ele olhou para mim incrédulo com a minha inocência:

"Oh yeah, no matter how good is your idea, you still have to know how to sell it. That's how it is!"

8.4.09

"Tudo é belo quando se ama"

tá bem tá.

Vou ao Ratskeller beber uma cidra antes que chova.

2.4.09

e sobre bébés e estilos de vida

dois posts interessantes no ervilha cor-de-rosa. Pelo menos para mim, que também me questiono sobre a "necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés."

G20

É quando estamos mal, que mudamos. Por isso, optimismo.

É de ler o que diz o Durao no Público, em vésperas do G20:

"A saída para esta crise não reside na "desglobalização". O proteccionismo e o nacionalismo económico são falsos amigos que mais não fazem do que agravar a pobreza e os conflitos."
e
"As novas regras globais devem basear-se em valores e princípios éticos, respeitando e estimulando a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade. Devem, além disso, permitir que os mercados recompensem o trabalho árduo e o espírito de iniciativa e não a mera especulação."

31.3.09

Nunca queiram

procurar umas chaves num saco onde têm um lenço de moedinhas a-dar-a-dar.

23.3.09

Loucos de Darmstadt

Granizo às nove da noite. Ponho a bicicleta no eléctrico para voltar para casa. A esta hora, vai quase vazio, mas não sou a única a puxar uma bicicleta para dentro.

Na paragem a seguir, entra um senhor a ralhar. Não vem a falar com ninguém em particular e também não se esforça por nos chamar a atenção, a minha e das outras 3 ou 4 pessoas que também vêm no eléctico. Está zangado e fala para o ar. Ralha à junge Leute, a juventude, que estão "cada vez mais malucos", "malucos, como nós nunca fomos". Diz que lhe furaram o pneu da bicicleta e já é a terceira vez em três semanas. Que são todos uns egoístas, que têm carros, que só se importam com o seu próprio conforto. Confessa-nos que já bebeu umas quatro ou cinco cervejas, "mas continuo bastante lúcido, sei bem o que se está a passar" avisa-nos. E continua com críticas à junge Leute e à sociedade.

Está a uns 4 metros de mim, mas cheiro-lhe o hálito a álcool. Vou de pé, encostada a um banco, a segurar a bicicleta. Olho para a chuva na janela, mas oiço com atenção o que ele diz. Todas as cidades precisam de um louco que diga as verdades.

22.3.09

"Os últimos dias de Sophie Scholl"

Sophie Scholl, membro do Rosa Branca, grupo de resistência ao regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial. Os membros do Rosa Branca redigíam, copiavam e distribuíam panfletos com mensagens de resistência antinazi e, segundo os próprios, de convicção cristã.

Excelente filme.

20.3.09

Travessia do deserto

Nao acredito em aprendizagem sem esforco. O processo de aprendizagem é doloroso. Mas compensa.

Estou em esforco, sim, mas vejo uma luz ao fundo do túnel. Descrevo-vos a visao: é um fim de tarde com um copo de vinho numa varanda sobre o Lago Maggiore, enquanto dentro se cozinha o nosso jantar.

Assim vou vencendo esta minha travessia do deserto.

5.3.09

Mulheres de Atenas

ando pelo laboratório a cantarolar isto. Tenho uma versao cantada pelo próprio Chico, presente do Bartolomeu, mas resolvi postar o Ney Matogrosso.

2.3.09

Resistir ao Inverno

O Inverno já tresanda. Ontem avistei o sol, que já nao o via há uma semana... mas logo se escondeu meio tímido entre umas nuvens esbranquicadas. Hoje ainda pior, tudo outra vez cinzento escuro, bem escurinho, trabalhar em frente à janela de luz acesa.

Isto nao me deprime, nao, isto poe-me é zangada! Nao há mais direito de o Inverno continuar. Já gastei as minhas bombas de boa disposicao, guardadas desde o Verao passado, que eu sou como a formiga do La Fontaine.

Isto requer medidas drásticas.

E portanto, hoje comeco as aulas de danca do ventre. Eu e mais três amigas, com os nossos lencos coloridos pelas ancas, de moedinhas a-dar-a-dar, abanamos os rabos nessa danca da feminilidade e da fertilidade.

Havemos de espantar o inverno. Raios!

1.3.09

Des Terres & des Hommes

Uma série de documentários sobre uma comunidade nos Himalaias, realizada por Marianne Chaud, que passa ao domingo à noite na TV5Monde. Adoro a maneira como ela filma, quase nunca a vemos, mas sabemos que ela está por trás da câmera. Mantém a distância necessária para contar a estória, mas nota-se como ao longo da série, vai construindo relações com as pessoas que a recebem. Filma a maior parte das vezes interagindo muito pouco com a cena mas há momentos em que, mesmo sem falar, sabemos o que está a sentir. Adoro quando as pessoas já estão à vontade com ela para lhe devolver as perguntas que ela faz.

Vale imenso a pena ver!

Aqui estão videos que encontrei, vejam o 4º.