16.7.09

Before Night Falls *

História de vida do escritor cubano Reinaldo Arenas, homossexual e subversivo, perseguido pelo regime de Fidel. Baseado na sua autobiografia. O Javier Bardem está excelente (excelente! vezes dois!) e as curtas aparicoes de Johny Depp fizeram-me andar para a frente e para trás com o filme.

* de Julian Schnabel

"É melhor ser alegre que ser triste"

Tenho duas aves exóticas na cozinha, de uma amiga que as deixou e foi de férias.

Toco-lhes música brasileira. Com o violao e a batucada, sentem-se em casa e nao sabem porquê.

Está-lhes no sangue.

E dançam.

13.7.09

Yanz

Ele: Tens tempo no domingo? Vamos ao cinema drive in ver o Ice Age?
Eu: A sério? Como nos filmes? Nem sabia que havia um drive in aqui.


Nao posso imaginar nada mais cheesy do que ir a um drive in. Ainda por cima ver o Ice Age...
Como pode uma pessoa pensar tudo errado? Ou entao é a pessoa que é errada.

3.7.09

NY

O Lorenzo é galego e está a viver em Nova Iorque. Sempre nos entendemos a falar cada um a sua língua. O galego é como um espanhol muito mais doce ou um português esquisito.

por suposto que podes polas fotos donde queiras,
(...) e moitas gracias polo teu blog, botareille unha ollada...




Mais fotos aqui.

Comparacoes inúteis

Imaginemos a vida como a entrada de uma barra:
apenas sabemos onde nao devemos ir, zonas com rochas escondidas ou de baixios. O caminho que fazemos dentro do corredor do possível depende do vento e das ondas. E nao vale a pena forcar uma rota.

1.7.09

Ich liebe dich auch

Dona Branca veio de nave espacial e aterrou no planeta Couscous. Andou de olhos abertos, perguntou, cheirou, provou, quis saber, opinou. Desfiámos vidas, a comecar pelas nossas, questionámo-nos e filosofámos sem nunca chegar a conclusoes, que nao é essa a finalidade. Banhámo-nos em águas mornas, dancámos salsa e apaixonámo-nos as duas pela inglesa de vestido amarelo e sapatinho branco que veio tocar ao festival.

Se ainda nao viram a reportagem, facam favor.

20.6.09

Obras em Arheilgen

Vivo na rua principal de um bairro fora do centro, a norte de Darmstadt. Um bairro antigo e envelhecido, embora nos últimos anos muita gente nova tenha vindo viver para uns prédios novos que construíram na periferia. A minha senhoria, por exemplo, vive nesta casa onde estou desde que nasceu e antes dela viveram os pais e os avós.

Hoje voltei a ter eléctrico à porta, depois de dois anos de obras e pó para aumentarem a linha do eléctrico e já agora termos passeios novos e mais largos, árvores, carris silenciosos e, esperemos, menos transito. Quando fui ao pao, vi o cortejo de inauguracao: eléctricos antigos seguidos de um dos novos, todo brilhante. Dos antigos, um até era a vapor. E nós de Arheilgen saímos à rua, uns de propósito, outros a caminho do pao, e vimos o cortejo passar. Tiraram fotografias, juntaram-se à conversa, na padaria queixaram-se do muito que lhes custou.

E têm razoes de queixa: parte da obra é paga pelos moradores da rua onde o eléctrico passa! A continha será apresentada no fim de concluídos os trabalhos, consoante a área de terreno de cada morador. Pelo que ouvi, à volta de 10.000 euros. E quem nao tem dinheiro para pagar? Ah, nao há problema, faz um crédito, hipoteca a casa, ou vende. E nao há cá mais conversas. Eu nao consigo perceber isto, e muito menos quando os moradores das ruas à volta, que aproveitam a ligacao de eléctrico tanto como os da rua principal, sem o inconveniente do barulho, esses nao pagam nada. Entao uma obra destas, que serve indiscutivelmente toda a comunidade, nao deveria ser paga por todos?

Se

eu hoje estivesse em Lisboa, ía para a Fnac ouvir CDs a manha toda.

9.6.09

C A L M A

vem de "com alma".
Stephan Doitschinoff, paulista, representa a mistura que é o Brasil. Folclore e cultura urbana, símbolos cristaos e pagaos.
Foi a Teresinha que mo ofereceu, nao haveria melhor presente. Vejam o filme e mais aqui.



TEMPORAL : The Art of Stephan Doitschinoff (aka Calma) from Jonathan LeVine Gallery on Vimeo.

7.6.09

Couscous faz servico cívico - impressoes

Ocupei a mesa de voto 460 de Arheilgen. Além das europeias, em Darmstadt também se votou para um referendo sobre a construccao ou nao de um túnel através do centro da cidade que supostamente tiraria o tráfego das zonas de habitacao. Talvez por isso, tivémos 50% de votantes na minha mesa. O mais giro foi estar ali, ver os meus vizinhos desfilar, e gozar as reaccoes.

A minha colega da esquerda avisou-me logo: as pessoas em Arheilgen sao muito conservadoras, aqui ganha o CDU (partido conservador católico! - nao confundir com "nossa" CDU). Fiquei avisada. E nao se enganou, mas na contagem geral de Darmstadt foram os Grünen (verdes) que ficaram à frente. O melhor foi quando ela comecou a discutir sobre a razao de (nao) ser do túnel referendado com um senhor que tinha acabado de votar. Ainda olhou para mim a meio da conversa, à procura de aprovacao, e eu assobiei baixinho.

Mas os highlights do dia devo-os à colega da direita. Comadre fofoqueira, explicou-me que vinha para a mesa porque para estar sentada em casa preferia estar ali. Tinha a posicao de poder: de lista na mao, fazia as cruzinhas e dizia às pessoas Jetzt dürfen Sie, e gozava aquele poder com prazer que nao escondia. E quando as pessoas desapareciam ía a correr inspeccionar os cartoes e tecia os seus comentários: Nao sabia que este era doutor, Olha esta veio sem o marido, Onde estao os pais deste que ainda nao vieram,... Também percebi que nao gostava de estrangeiros. Cada vez que aparecia alguém de ar pouco "ariano", mexia-se muito na cadeira e quando eles desapareciam tratava-os por Ausländer. A certa altura, depois de uma senhora de véu ter votado disse Há muita gente desconhecida a vir votar. Ao que eu respondi Olhe, para mim, sao todos desconhecidos!

Depois havia os papistas em último grau: ralhavam de cada vez que um casal de idade comecava a discutir o voto por detrás da cabine (ternurento, na minha opiniao) ou que uma mae ou pai levava uma filha ou filho com eles para os verem votar (bonito, na minha opiniao, lembro-me de ir com a minha mae e de sentir que era uma coisa importante).

5.6.09

Trippy hop

Vou correr, para o campo. Sem música. Oiço a erva seca. E os apanhadores de espargos, que nao sao alemaes. Suo e produzo endorfinas: duas coisas boas.

Volto e ponho a tocar um CD que um amigo me gravou. Tem escrito no CD, em letra de mau aluno, "trippy hop". Nao sei o que é. Transporta-me para lounges à beira-mar e copos de martini com uma azeitona.

Bebo água e vejo, pela janela, o senhorio. Corta a relva de cuecas e t-shirt.

Na vida, os pequenos prazeres devem ser reaprendidos tantas vezes quantas for preciso.

3.6.09

Atitude

"I'm often asked in interviews what I look for when I'm out shooting.
I reply that I just try to keep my mind open so I can see what I'm not expecting."

The Sartorialist

29.5.09

perceber vs. fazer

Ele - Nós, matemáticos, percebemos o mundo, mas no fundo nao sabemos fazer nada.
Eu - Nós, engenheiros, fazemos coisas sem as perceber muito bem, mas fazêmo-las.

Cerejas

A minha colega trouxe-me uma tigelinha de cerejas. As primeiras do ano.

Eu vendo-me barato.

28.5.09

A nuvem passou

só nao me está a apetecer escrever.

É engracado constatarmos a nossa própria pluralidade. Aquela do estado de espírito grave, do existencialismo, sou eu. A hedonista que vai hoje beber uns copos ao Schloßgrabenfest, sou eu.

26.5.09

Existencialismo

Até os meus alicerces perderam firmeza: esta foi a extensao dos estragos. Acreditei tao forte, estive tao pronta para tudo, disposta a dar tanto e tanto. A minha razao de viver passava por tê-lo ao meu lado. Loucura?

O existencialismo é doloroso. Nao se tem descanso, questionando sempre se isto e aquilo faz algum sentido, procurando incessantemente uma alguma coisa a que se agarrar, que dê algum sentido à vida. Eu tinha-a encontrado. Para mim era a luta de maos dadas, olhando em frente, era a partilha. Agarrar-me a ele era como agarrar-me ao vento, mas eu gostava disso mesmo. Ao pé dele sentia-me pronta para tudo, forte para tudo, alegre e excitada com essa luta.

Agora, assim de repente, tudo parece apenas dias que correm. E será a vida só isto, afinal?

Mas sei: continuo a luta de maos dadas, só há uma mao que já nao está lá. E sei: vou continuar a partilhar e a deixar entrar (e sair) pessoas da minha vida.

20.5.09

Eu atirava-a agora mesmo pela janela do segundo andar. E depois fechava a janela, para nao me incomodarem os gritos.

claramente inspirado pelos relatos de Max Aub, em Crimes Exemplares, com que me mimou a Teresinha.

"os filhos das colegas de trabalho sao invariavelmente sobredotados"

é verdade. E comprova-se aqui com a minha colega.

Mas onde é que eu li isto?

18.5.09

Há aquele momento da noite em que nada faz sentido

e há aquele momento do dia em que tudo volta a fazer. É redentor.

De nada me arrependo, a vida é isto mesmo.

14.5.09

naaaaaaaa

cinzento nao.
E preto nao gosto, pode ser muito ecológico, como dizem esses site-meters da ecologia, mas eu nao gosto. E aqui mando eu.

Aviso

Ainda nao estou satisfeita, este nao é o "layout" final.

11.5.09

Murro no estômago

o título roubei-o à Lira.

7.5.09

E este fim-de-semana

vou pintar outra vez.
E acho que vou pintar cá com uma gana.

Cientistas de costas viradas

Hoje fui mostrar o que valia aos cientistas. Um senhor, de meias e sandálias, virava o disco e tocava o mesmo: que análises de medicamentos em tubo de vidro nao têm significado porque nunca podem mimetizar o que se passa na realidade na cultura de células ou no corpo. E que é por isso que os cientistas de tubos de vidro e os de cultura celular andam sempre de costas viradas.

Ora, se assim fosse, ninguém fazia caracterizacao de medicamentos, e o objectivo nao é mimetizar o que se passa na célula, para isso existe a célula mesma. O objectivo é dividir um sistema muito complexo em vários sistemas mais simples, limitados é certo, mas compreensíveis. A informacao que daí se tira deve ser interpretada cautelosamente e nunca se tem certezas, mas pode ter-se um conjunto de resultados que apontam numa determinada direccao e que suportam uma determinada teoria.

Eu mantive-me firme - bendito Inderal! E até acho isto um treino valioso!

Eu nem ligo a estas coisas

e até sou contra os site-meters, que implicam com a minha liberdade. Mas, há uns tempos, ao abrir o blog reparei no seguinte "Tem dois followers". Fiquei logo toda contente. E curiosa. Quem sao, entao, estes followers (isto parece followers de uma doutrina ou assim, ou do cientista do Battlestar Galactica).

Uma, a minha amiga Branca - sem surpresas, é sabido que somos followers uma da outra. A outra, uma desconhecida que me deve ter achado graca - se nao me engano era uma amante de Arte Nova que veio cá parar numa altura em que fiz um post sobre a piscina Jugendstil de Darmstadt. Pois deve ter-se desiludido com a falta de posts de Arte Nova. Porque hoje reparei que já só tenho uma follower. E pronto, assim foi a amante de Arte Nova à sua vidinha... Adeus, e até sempre!

25.4.09

Neste lindo dia da liberdade

fui ajudar a pintar a casa nova de bons amigos.

Ele ouve trash punk e ela toca piano clássico, ele gosta de decoração minimalista e ela de bric-a-braque, ele é turco, ela parisiense. Respeitam-se, completam-se, cuidam muito um do outro, sabem que a vida não é sempre fácil e aceitam o sucesso com a dignidade de quem o merece e a humildade de quem sabe que nada é eterno.

De rádio ligado e lenço na cabeça, ele de rolo grande, nós as duas nos detalhes. Pelo meio, pausas com chá turco e camembert barrado em baguete. Não me poderia ocorrer melhor coisa para fazer neste dia.

19.4.09

De ruibarbo

é o crumble de hoje. Há que tempos queria experimental. E a Laure e o Murat sao boas cobaias.

17.4.09

Saber vender

Chegou a altura de provar o que valho. A pesca até foi boa, mas agora tenho que vender o peixe. Hoje ao almoco contei isso ao Joe, um americano que, aos 50 anos, atravessou o Atlântico para vir trabalhar aqui. Ele olhou para mim incrédulo com a minha inocência:

"Oh yeah, no matter how good is your idea, you still have to know how to sell it. That's how it is!"

8.4.09

"Tudo é belo quando se ama"

tá bem tá.

Vou ao Ratskeller beber uma cidra antes que chova.

2.4.09

e sobre bébés e estilos de vida

dois posts interessantes no ervilha cor-de-rosa. Pelo menos para mim, que também me questiono sobre a "necessidade de usar muitos (senão quase todos) os acessórios que as grávidas e recém-mamãs do mundo ocidental pensam serem essenciais à felicidade dos bebés."

G20

É quando estamos mal, que mudamos. Por isso, optimismo.

É de ler o que diz o Durao no Público, em vésperas do G20:

"A saída para esta crise não reside na "desglobalização". O proteccionismo e o nacionalismo económico são falsos amigos que mais não fazem do que agravar a pobreza e os conflitos."
e
"As novas regras globais devem basear-se em valores e princípios éticos, respeitando e estimulando a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade. Devem, além disso, permitir que os mercados recompensem o trabalho árduo e o espírito de iniciativa e não a mera especulação."

31.3.09

Nunca queiram

procurar umas chaves num saco onde têm um lenço de moedinhas a-dar-a-dar.

23.3.09

Loucos de Darmstadt

Granizo às nove da noite. Ponho a bicicleta no eléctrico para voltar para casa. A esta hora, vai quase vazio, mas não sou a única a puxar uma bicicleta para dentro.

Na paragem a seguir, entra um senhor a ralhar. Não vem a falar com ninguém em particular e também não se esforça por nos chamar a atenção, a minha e das outras 3 ou 4 pessoas que também vêm no eléctico. Está zangado e fala para o ar. Ralha à junge Leute, a juventude, que estão "cada vez mais malucos", "malucos, como nós nunca fomos". Diz que lhe furaram o pneu da bicicleta e já é a terceira vez em três semanas. Que são todos uns egoístas, que têm carros, que só se importam com o seu próprio conforto. Confessa-nos que já bebeu umas quatro ou cinco cervejas, "mas continuo bastante lúcido, sei bem o que se está a passar" avisa-nos. E continua com críticas à junge Leute e à sociedade.

Está a uns 4 metros de mim, mas cheiro-lhe o hálito a álcool. Vou de pé, encostada a um banco, a segurar a bicicleta. Olho para a chuva na janela, mas oiço com atenção o que ele diz. Todas as cidades precisam de um louco que diga as verdades.

22.3.09

"Os últimos dias de Sophie Scholl"

Sophie Scholl, membro do Rosa Branca, grupo de resistência ao regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial. Os membros do Rosa Branca redigíam, copiavam e distribuíam panfletos com mensagens de resistência antinazi e, segundo os próprios, de convicção cristã.

Excelente filme.

20.3.09

Travessia do deserto

Nao acredito em aprendizagem sem esforco. O processo de aprendizagem é doloroso. Mas compensa.

Estou em esforco, sim, mas vejo uma luz ao fundo do túnel. Descrevo-vos a visao: é um fim de tarde com um copo de vinho numa varanda sobre o Lago Maggiore, enquanto dentro se cozinha o nosso jantar.

Assim vou vencendo esta minha travessia do deserto.

5.3.09

Mulheres de Atenas

ando pelo laboratório a cantarolar isto. Tenho uma versao cantada pelo próprio Chico, presente do Bartolomeu, mas resolvi postar o Ney Matogrosso.

2.3.09

Resistir ao Inverno

O Inverno já tresanda. Ontem avistei o sol, que já nao o via há uma semana... mas logo se escondeu meio tímido entre umas nuvens esbranquicadas. Hoje ainda pior, tudo outra vez cinzento escuro, bem escurinho, trabalhar em frente à janela de luz acesa.

Isto nao me deprime, nao, isto poe-me é zangada! Nao há mais direito de o Inverno continuar. Já gastei as minhas bombas de boa disposicao, guardadas desde o Verao passado, que eu sou como a formiga do La Fontaine.

Isto requer medidas drásticas.

E portanto, hoje comeco as aulas de danca do ventre. Eu e mais três amigas, com os nossos lencos coloridos pelas ancas, de moedinhas a-dar-a-dar, abanamos os rabos nessa danca da feminilidade e da fertilidade.

Havemos de espantar o inverno. Raios!

1.3.09

Des Terres & des Hommes

Uma série de documentários sobre uma comunidade nos Himalaias, realizada por Marianne Chaud, que passa ao domingo à noite na TV5Monde. Adoro a maneira como ela filma, quase nunca a vemos, mas sabemos que ela está por trás da câmera. Mantém a distância necessária para contar a estória, mas nota-se como ao longo da série, vai construindo relações com as pessoas que a recebem. Filma a maior parte das vezes interagindo muito pouco com a cena mas há momentos em que, mesmo sem falar, sabemos o que está a sentir. Adoro quando as pessoas já estão à vontade com ela para lhe devolver as perguntas que ela faz.

Vale imenso a pena ver!

Aqui estão videos que encontrei, vejam o 4º.

18.2.09

Amanha também é dia

Quando depois de uma noite mal dormida (a sonhar com a experiência que estava a correr, que nerd...), chego cá e as coisas nao funcionaram,

o melhor é fechar o computador, pegar na trouxa e ir para a rua. Feierabend*!

Vou ao supermercado comprar o que preciso para o soufflé que quero fazer logo à noite a uma amiga recente que convidei para jantar. Depois, deito-me no sofá a ler e pode ser que durma uma sesta. E mais para o fim da tarde, abro o vinho e comeco com o soufflé.

(* fim do trabalho, fechou o estaminé, leisure time)

17.2.09

Niki de St. Phalle em Évora!

Disse-me a Teresinha que a Fundação Eugénio de Almeida organizou uma exposição em Évora. A não perder! Chama-se Alegria de Viver e imagino que contenha obras da fase tardia de criacao de St. Phalle.

É a sua fase mais conhecida, como símbolo as Nanas (mulher ou rapariga em francês) que são representações femininas de dimensões gigantes e formas redondas. Transmitem alegria de viver e, mais que isso, alegria de ser mulher. São fecundas, coquetes, livres, poderosas, felizes.

Niki de St. Phalle torna-se ainda mais interessante quando se conhece um pouco mais a sua biografia e trabalhos mais iniciais. Uma relação muito problemática com os homens, talvez por ter sido violada pelo pai (ou padrasto, já nao sei ao certo), um coração partido, um ódio aos homens em geral que ela destila em obras violentas, perturbantes, intensas.


Nas obras desta fase St.Phalle dispara com uma espingarda sobre os quadros. Mais tarde, ela diz sobre esta época
"En 1961 j'ai tiré sur : Papa, tous les hommes, les petits, les grands, les importants, les gros, les hommes, mon frère, la société, l'Eglise, le couvent, l'école, ma famille, ma mère, tous les hommes, Papa, moi-même, les hommes. Je tirais parce que cela me faisait plaisir et que cela me procurait une sensation extraordinaire. Je tirais parce que j'étais fascinée de voir le tableau saigner et mourir. Je tirais pour vivre ce moment magique. C'était un moment de vérité scorpionique. Pureté blanche. Victime. Prêt ! A vos marques ! Feu ! Rouge, jaune, bleu, la peinture pleure, la peinture est morte. J'ai tué la peinture. Elle est ressuscitée. Guerre sans victimes."

Na época mais leve e alegre das Nanas é como se St. Phalle tivesse deixado sair todo o ódio, trabalhado as suas inquietudes e os seus traumas. Mas as Nanas não são só leves e alegres, são também uma manifestação não menos apaixonada do feminino e, se quisermos, do feminismo...

Imagens daqui e daqui.

16.2.09

Lombardia: primeiras impressoes

Quando na sexta feira me sentei à espera do embarque, já nao estava na Alemanha, já estava com um pézinho em Itália: à minha volta, bons sapatos, bom aspecto e bom gosto. Subimos até estarmos por cima das nuvens, sobrevoámos os picos dos Alpes cheios de neve e, do outro lado, o sol ainda brilhava. Uma luz muito branca, o sol reflectido na neve e nos lagos... Lindo!

Embora a paisagem natural seja semelhante (os Alpes, os lagos), a Lombardia é ainda mais bonita que a zona do lago de Genebra. Eu acho que a diferenca está no flair italiano... as antigas vilas lombardas à beira do lago, o caos "organizado" italiano, a comida ohhh tudo é tao simples e delicioso...

No domingo de manha resolvemos ir ao Sacro Monte ao lado de Varese, um sítio que se vê de Varese e que tem uma forca de atraccao enorme... Um monte com uma aldeia encavalitada no topo... misterioso. Valeu a pena! É um local de peregrinacao que se sobe a pé, património Unesco, no topo tem uma aldeia medieval onde vive gente e uma igreja. A vista é de cortar a respiracao... Como nao tínhamos máquina fotográfica, aqui está uma foto que tirei da net:

13.2.09

Pirosices

Como este fim de semana vou visitar o Francois a Itália, hoje pus o meu vestido novo e as minhas botas novas.

Ahhh, que bom que é ser pirosa :)

Mas nao me falem em dias do Santo Valentino que isso até para mim é pirosice a mais!

11.2.09

Ainda sobre o filme Liebesleben

A história é uma história universal, mas para a realizadora é importante ter sido filmado em Israel.

Isto pelo facto de os israelitas nao viverem como se tivessem tempo infinito para tudo na vida.

8.2.09

Liebesleben

é um dramalhão, que se vai desvendando à medida que Ya'hara se enreda em jogos eróticos com um velho amigo dos pais. Passa-se em Israel, a realizadora é alemã.

"O amor nao cega, abre os olhos"

7.2.09

Quando a arte aproxima

O primeiro iraniano que conheci foi o Daniel, aquele meu colega de trabalho que deixou os colegas invejosos para trás e foi à vida dele, estudar medicina. Grande Daniel. Mas o Daniel não gostava de falar do Irão e nunca se alargava muito, principalmente se estivessem outras pessoas. Talvez tenha passado uns maus bocados por vir de onde vem.

Uma vez perguntei-lhe pela Satrapi. Não conhecia. Como os livros cá de casa são em Francês, não insisti muito em emprestar-lhos. Também não sei se seria sensível impingir-lhos. Há diferenças culturais ou mesmo biográficas que se devem respeitar. Por muito que eu ache que Satrapi seja muito giro e muito cool e tal, talvez o Daniel até a ache uma parva burguesa cujos papás ricos mandaram estudar para a Europa e que agora está rica às custas de contar como é a vida lá no país dos pobrezinhos. Não insisti mais com este assunto.

Ontem, em casa de um amigo conheci a Ara, também iraniana. Perguntei-lhe então também a ela pela Satrapi. Um bocado a medo, de uma maneira neutra... E os olhos dela brilharam! Que giro eu também conhecer, e como tinha ouvido falar, que a descobriu depois de vir, que no Irão é impossível encontrar, que anda à procura de mais livros, se eu sei de outros, e como se identificou com a história, que a tocou tanto que até chorou a ler, principalmente a parte da guerra... - e aí os olhos pararam de brilhar: a guerra, muito difícil. Parámos de falar por um momento, eu achei que o melhor seria esperar por ela. E depois continuou, que sim que a Satrapi tinha ganho bom dinheiro à custa das histórias do Irão, e agora ainda mais com o filme, mas que é apenas a história vista por ela, sem pretensões, e que está muito bem feito, que é mesmo assim, que também leu o embroideries, que adorou, etc etc

Duas pessoas, eu e ela, vimos de dois extremos geográficos, encontramo-nos no meio, e cria-se uma empatia por causa de uma banda desenhada. Acho que ficámos ambas maravilhadas uma com a outra. Ou talvez tenha sido só eu.

5.2.09

Happy-go-lucky

Viva o clube de vídeo de Arheilgen! Já tinha quase perdido a esperanca, mas valeu a pena ir perguntando.

Poppy (Sally Hawkins) é uma professora primária londrina, 30 anos. Leve e jovial, leva a vida com humor e vê sempre o lado bom, o copo meio cheio. A personagem vai-se tornando cada vez mais interessante à medida que nos vamos embrenhando na vida de Poppy e principalmente através da maneira como se relaciona com os outros. Os pontos altos sao as aulas de conducao com um instrutor perturbado, racista e associal, que se irrita mas ao mesmo tempo fica perturbado com a maneira de ser de Poppy, deslumbrado com a sua liberdade.
Prémio de melhor actriz do festival de cinema de Berlim.

Sinais

Quando de manha a caminho do trabalho tenho a impressao que um bando enorme de pássaros excitados acabou de chegar ao meu bairro

e

tenho que deixar a bicicleta longíssimo da entrada,

sei que a Primavera já nao está longe...